Nouveauté
Montanha-Sonho dos Tempos Antigos. HISTÓRIAS DE TERROR EM PORTUGUÊS - BREDEVOORT VAN DEN BERG, #7
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- FormatePub
- ISBN8235650183
- EAN9798235650183
- Date de parution24/04/2026
- Protection num.pas de protection
- Infos supplémentairesepub
- ÉditeurIoakim Ioakim
Résumé
MONTANHA-SONHO DOS TEMPOS ANTIGOS - FICÇÃO HISTÓRICA E FANTASIA SOMBRIA EM PORTUGUÊS - BREDEVOORT VAN DEN BERGÀ sombra das Dolomitas, onde as paredes rochosas se erguem tão antigas quanto o próprio mundo e o assobio das marmotas dita a passagem dos dias, jaz sepultado o reino esquecido de Fanes. Esta epopeia arrebatadora, profundamente enraizada na riquíssima tradição mitológica dos Alpes do Tirol Meridional, resgata as narrativas mais ancestrais da montanha e insufla nova vida nas lendas que há milénios assombram estes picos graníticos.
Quando as marmotas emudecem e a montanha suspende o seu próprio alento, o caçador Lidsanel pressente que algo terrível está prestes a desenrolar se. Os anões que habitam nas entranhas da pedra, manejando a sua magia oculta e sussurrando profecias enigmáticas, concederam lhe outrora três desejos. Contudo, ele desdenhou do aviso mais crucial de todos: que o poder de recordar constitui a maior dádiva que existe.
Dolasilla, a amada princesa do povo de Fanes, carrega o fardo de uma maldição nascida do amor pelo homem errado. Ey de Net, o guerreiro inimigo munido de um escudo encantado e servo do feiticeiro Spina de Mul, roubou as suas flechas infalíveis sob o manto da escuridão. Agora, aguarda no vale profundo, preparado para a trespassar com as suas próprias armas. A batalha que se segue ergue se como uma das maiores tragédias jamais testemunhadas nos Alpes.
O vale tinge se de rubro com o sangue derramado, o céu tolda se com uma chuva cerrada de setas e, no lusco fusco do crepúsculo, Dolasilla jaz trespassada contra uma rocha, perfurada por três das suas próprias flechas. Mas, antes de exalar o último suspiro, ela confere a Lidsanel uma ordem que há de alterar a sua existência para todo o sempre. O que se sucede é uma travessia pelo próprio tempo. Quando Lidsanel se esvai por entre o nevoeiro, é arrebatado através dos séculos pelo sopro do gigante de rocha que tudo recorda.
Desperta num outro mundo, milhares de anos antes da própria existência de Fanes, com uma sombra a segui lo paciente e implacavelmente por entre a floresta cerrada. Durante cinco milénios permanece aprisionado no glaciar, conservado pelo gelo eterno e guardado pelo segredo do gigante pétreo que jamais esqueceu. "No frio dos cumes que antecede o renascer do crepúsculo, naquela ampulheta suspensa entre a noite e o romper da aurora em que o mundo suspende a respiração, as marmotas do planalto de Fanes emudeceram.
Não foi um silêncio que chegou devagar, uma a uma calando o seu assobio descendente. Foi um corte súbito, um nada absoluto, uma ausência que se escancarou como um bocejo de abismo em cuja borda a realidade gira e se desfaz. Lidsanel saiu da sua cabana, a pele ainda lançada sobre os ombros, e o silêncio trespassou-o com a letalidade de uma seta envenenada a cravar-se entre as costelas. Nem um assobio vindo das escarpas, nem um grito, só a nuvem do seu próprio hálito diante de si, efémera no gelo, só ele parado à espera.
A mãe, que lhe dera o nome antes de a febre a levar, aprisionara nessa única palavra todo o seu amor, e agora ele tinha de a carregar sozinho. Escutou até o frio lhe morder as orelhas, até ao âmago do seu ser, mas nada. Até o vento, esse eterno errante das alturas, se quedara mudo, como se aguardasse com as marmotas o aparecimento de algo há muito prometido. Três desejos lhe haviam concedido os anões, naquele dia em que a sombra negra das rochas da escarpa se projectava sobre a neve húmida que ardia como pequenos sóis brancos aprisionados na pedra.
Salvara um anão que escorregara para uma fenda e ficara entalado entre rochas escuras. Puxara-o da ravina, a mão do ferido presa na sua, e foi então que o ancião surgiu diante dele, o sacerdote de barba branca como um relâmpago e olhos negros como a meia-noite, feitos da mesma matéria das pedras de onde viera."
Quando as marmotas emudecem e a montanha suspende o seu próprio alento, o caçador Lidsanel pressente que algo terrível está prestes a desenrolar se. Os anões que habitam nas entranhas da pedra, manejando a sua magia oculta e sussurrando profecias enigmáticas, concederam lhe outrora três desejos. Contudo, ele desdenhou do aviso mais crucial de todos: que o poder de recordar constitui a maior dádiva que existe.
Dolasilla, a amada princesa do povo de Fanes, carrega o fardo de uma maldição nascida do amor pelo homem errado. Ey de Net, o guerreiro inimigo munido de um escudo encantado e servo do feiticeiro Spina de Mul, roubou as suas flechas infalíveis sob o manto da escuridão. Agora, aguarda no vale profundo, preparado para a trespassar com as suas próprias armas. A batalha que se segue ergue se como uma das maiores tragédias jamais testemunhadas nos Alpes.
O vale tinge se de rubro com o sangue derramado, o céu tolda se com uma chuva cerrada de setas e, no lusco fusco do crepúsculo, Dolasilla jaz trespassada contra uma rocha, perfurada por três das suas próprias flechas. Mas, antes de exalar o último suspiro, ela confere a Lidsanel uma ordem que há de alterar a sua existência para todo o sempre. O que se sucede é uma travessia pelo próprio tempo. Quando Lidsanel se esvai por entre o nevoeiro, é arrebatado através dos séculos pelo sopro do gigante de rocha que tudo recorda.
Desperta num outro mundo, milhares de anos antes da própria existência de Fanes, com uma sombra a segui lo paciente e implacavelmente por entre a floresta cerrada. Durante cinco milénios permanece aprisionado no glaciar, conservado pelo gelo eterno e guardado pelo segredo do gigante pétreo que jamais esqueceu. "No frio dos cumes que antecede o renascer do crepúsculo, naquela ampulheta suspensa entre a noite e o romper da aurora em que o mundo suspende a respiração, as marmotas do planalto de Fanes emudeceram.
Não foi um silêncio que chegou devagar, uma a uma calando o seu assobio descendente. Foi um corte súbito, um nada absoluto, uma ausência que se escancarou como um bocejo de abismo em cuja borda a realidade gira e se desfaz. Lidsanel saiu da sua cabana, a pele ainda lançada sobre os ombros, e o silêncio trespassou-o com a letalidade de uma seta envenenada a cravar-se entre as costelas. Nem um assobio vindo das escarpas, nem um grito, só a nuvem do seu próprio hálito diante de si, efémera no gelo, só ele parado à espera.
A mãe, que lhe dera o nome antes de a febre a levar, aprisionara nessa única palavra todo o seu amor, e agora ele tinha de a carregar sozinho. Escutou até o frio lhe morder as orelhas, até ao âmago do seu ser, mas nada. Até o vento, esse eterno errante das alturas, se quedara mudo, como se aguardasse com as marmotas o aparecimento de algo há muito prometido. Três desejos lhe haviam concedido os anões, naquele dia em que a sombra negra das rochas da escarpa se projectava sobre a neve húmida que ardia como pequenos sóis brancos aprisionados na pedra.
Salvara um anão que escorregara para uma fenda e ficara entalado entre rochas escuras. Puxara-o da ravina, a mão do ferido presa na sua, e foi então que o ancião surgiu diante dele, o sacerdote de barba branca como um relâmpago e olhos negros como a meia-noite, feitos da mesma matéria das pedras de onde viera."






















