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A Clareira Livro Zero. Evangelho Segundo Satanás, #0
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- FormatePub
- ISBN8233341601
- EAN9798233341601
- Date de parution26/02/2026
- Protection num.pas de protection
- Infos supplémentairesepub
- ÉditeurLinda Balsamo
Résumé
Em 1773, nas entranhas do Brasil Colônia, um padre português chamado Bartolomeu da Anunciação é puxado por forças que não compreende até uma clareira sagrada no coração da mata atlântica. Lá, os indígenas chamavam aquele lugar de "O Umbigo do Mundo". Os negros escravizados, que ali dançavam e invocavam seus deuses às escondidas, sabiam que a terra guardava um segredo mais antigo que qualquer fé trazida pelos navios.
Bartolomeu cava com as mãos nuas até encontrar uma pedra negra, polida como se mãos humanas a tivessem esfregado durante mil anos. Quando seus dedos tocam a superfície, o mundo treme - não fisicamente, mas em sua essência. O padre vê tudo: os índios que ali dançaram antes dele, os portugueses que os estupraram e mataram, os negros que chegarão acorrentados, e o futuro distante de arranha-céus, fuzis e meninos mortos na areia da praia.
Ele vê que tudo é um - o mesmo sangue, a mesma dor, a mesma alma fragmentada em mil corpos, mil eras, mil guerras. Ele descobre que é a Âncora: um espírito partido em cinco pedaços que precisam se encontrar para que Deus desperte. Três dias antes dessa noite na clareira, Bartolomeu chega a Vila Rica com uma missão do bispo: investigar denúncias de feitiçaria nas minas. Hospeda-se na casa de um contratador de diamantes que lhe diz, com a naturalidade do horror: "Os negros invocam os deles.
Enquanto dançam, não fogem. O Deus deles é fraco. O meu é o açoite." À noite, os tambores o puxam para a mata. Ele encontra a negra de olhos de brasa, que dança nua no centro da fogueira e lhe toca o peito, deixando uma espiral vermelha e latejante - a marca da Âncora. "Você já está partido", ela diz. "Os inteiros não servem."No confessionário da igreja vazia, uma figura sem rosto o aguarda. Não é o demônio - ou talvez seja, se demônio for apenas o nome que a Igreja dá a tudo que não pode controlar.
"Você vai se espalhar", diz a voz. "Você vai ser muitos. Em muitos lugares. Em muitos tempos. Você será o pastor que mente, o feiticeiro que mata, o sodomita que expõe, o hipócrita que condena, o justiceiro que destrói. Você será todos eles." Bartolomeu escreve, em páginas que amarelarão com os séculos, os nomes daqueles que ainda virão: Miro, Ramiro, Lukas, Omar, Caleb. Homens que carregarão dentro de si um fragmento da Âncora, sem saber, até que se encontrem.
Trezentos anos depois, em Luanda, Angola, uma jovem programadora chamada Marina Sebastião encontra o manuscrito no fundo de um baú, no porão da casa do pai. Ela é filha de Ramiro - um dos cinco - e carrega no ombro a mesma espiral que o padre descreveu. Ela sempre sonhou com a clareira, com o homem sem rosto, com a pedra negra. Agora, com o manuscrito nas mãos e o laptop aberto, ela começa a escrever.
A história que você está prestes a ler. EVANJELHO SEGUNDO SATANÁS é uma obra que desafia classificações: terror religioso, suspense místico, fantasia sombria, romance filosófico, ficção histórica. Mais que tudo, é uma meditação sobre a fragmentação da alma humana, a hipocrisia das instituições, a violência que atravessa séculos e a possibilidade - terrível ou redentora - de que, no fundo, todos sejamos o mesmo.
O Livro Zero, "A Clareira", funciona como prólogo e chave mitológica para a série que se seguirá, apresentando os conceitos de Âncora, espiral e fragmentação que ecoarão nas cinco narrativas seguintes. Uma obra para leitores de José Saramago, Valter Hugo Mãe e Roberto Bolaño - ou para qualquer um que já tenha sentido, no silêncio da noite, que existe algo mais antigo que o tempo esperando para ser lembrado.
Bartolomeu cava com as mãos nuas até encontrar uma pedra negra, polida como se mãos humanas a tivessem esfregado durante mil anos. Quando seus dedos tocam a superfície, o mundo treme - não fisicamente, mas em sua essência. O padre vê tudo: os índios que ali dançaram antes dele, os portugueses que os estupraram e mataram, os negros que chegarão acorrentados, e o futuro distante de arranha-céus, fuzis e meninos mortos na areia da praia.
Ele vê que tudo é um - o mesmo sangue, a mesma dor, a mesma alma fragmentada em mil corpos, mil eras, mil guerras. Ele descobre que é a Âncora: um espírito partido em cinco pedaços que precisam se encontrar para que Deus desperte. Três dias antes dessa noite na clareira, Bartolomeu chega a Vila Rica com uma missão do bispo: investigar denúncias de feitiçaria nas minas. Hospeda-se na casa de um contratador de diamantes que lhe diz, com a naturalidade do horror: "Os negros invocam os deles.
Enquanto dançam, não fogem. O Deus deles é fraco. O meu é o açoite." À noite, os tambores o puxam para a mata. Ele encontra a negra de olhos de brasa, que dança nua no centro da fogueira e lhe toca o peito, deixando uma espiral vermelha e latejante - a marca da Âncora. "Você já está partido", ela diz. "Os inteiros não servem."No confessionário da igreja vazia, uma figura sem rosto o aguarda. Não é o demônio - ou talvez seja, se demônio for apenas o nome que a Igreja dá a tudo que não pode controlar.
"Você vai se espalhar", diz a voz. "Você vai ser muitos. Em muitos lugares. Em muitos tempos. Você será o pastor que mente, o feiticeiro que mata, o sodomita que expõe, o hipócrita que condena, o justiceiro que destrói. Você será todos eles." Bartolomeu escreve, em páginas que amarelarão com os séculos, os nomes daqueles que ainda virão: Miro, Ramiro, Lukas, Omar, Caleb. Homens que carregarão dentro de si um fragmento da Âncora, sem saber, até que se encontrem.
Trezentos anos depois, em Luanda, Angola, uma jovem programadora chamada Marina Sebastião encontra o manuscrito no fundo de um baú, no porão da casa do pai. Ela é filha de Ramiro - um dos cinco - e carrega no ombro a mesma espiral que o padre descreveu. Ela sempre sonhou com a clareira, com o homem sem rosto, com a pedra negra. Agora, com o manuscrito nas mãos e o laptop aberto, ela começa a escrever.
A história que você está prestes a ler. EVANJELHO SEGUNDO SATANÁS é uma obra que desafia classificações: terror religioso, suspense místico, fantasia sombria, romance filosófico, ficção histórica. Mais que tudo, é uma meditação sobre a fragmentação da alma humana, a hipocrisia das instituições, a violência que atravessa séculos e a possibilidade - terrível ou redentora - de que, no fundo, todos sejamos o mesmo.
O Livro Zero, "A Clareira", funciona como prólogo e chave mitológica para a série que se seguirá, apresentando os conceitos de Âncora, espiral e fragmentação que ecoarão nas cinco narrativas seguintes. Uma obra para leitores de José Saramago, Valter Hugo Mãe e Roberto Bolaño - ou para qualquer um que já tenha sentido, no silêncio da noite, que existe algo mais antigo que o tempo esperando para ser lembrado.













