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Papéis Avulsos. Contos
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- FormatePub
- ISBN1256799237
- EAN9791256799237
- Date de parution27/06/2026
- Protection num.Digital Watermarking
- Taille2 Mo
- Infos supplémentairesepub
- ÉditeurCactus
Résumé
Papéis Avulsos é o manifesto irônico de uma nova arte de narrar. Neste volume, Machado de Assis rompe definitivamente com os resquícios do romantismo e inaugura, em prosa curta, aquilo que a crítica posterior haveria de chamar de "realismo psicológico" - ou, mais precisamente, o machadismo em sua plena maturidade.
Reunindo doze peças narrativas de extensão e tom diversos, o livro oferece ao leitor um verdadeiro laboratório de experimentação estilística, onde o autor ensaia todas as suas futuras obsessões: a relatividade da razão, a precariedade da memória, a hipocrisia das instituições e a comicidade trágica da condição humana.
Cada conto é uma pequena joia de engenharia narrativa, capaz de condensar em poucas páginas toda a complexidade de um romance. A coletânea abre com O Alienista, talvez a mais célebre das narrativas breves de Machado, onde a cidade de Itaguaí se transforma num palco para a demência institucionalizada - e onde o leitor é convidado a perguntar-se, com o autor, onde termina a loucura e começa a razão.
Seguem-se Teoria do Medalhão, diálogo satânico entre pai e filho sobre a arte de triunfar na vida sem mérito algum, e A Chinela Turca, que ridiculariza com fina ironia as ambições metafísicas do espírito humano. Não menos notáveis são O Espelho, meditação sobre a identidade e a multidão interior que habita cada um de nós; Uma Visita de Alcibíades, onde o passado clássico é evocado para iluminar as misérias do presente; e Verba Testamentária, epílogo mordaz que parece resumir, em chave testamentária, o desencanto de um escritor que já não espera nada dos homens - a não ser que o leiam com os olhos abertos. Há ainda o fantástico velado de O Segredo do Bonzo, a alegoria política de A Sereníssima República, o humor cáustico de O Anel de Policrates e a parábola bíblica de Na Arca, todos atravessados por aquela inteligência sutil e ferina que Machado reservava para os grandes temas, mas que aqui aplica às pequenas coisas do cotidiano com a mesma gravidade. Papéis Avulsos é, assim, um divisor de águas na literatura brasileira: o momento em que o conto deixa de ser mero entretenimento ou lição moral para se tornar um gênero filosófico por excelência.
Machado não narra para entreter; narra para inquietar. E cada página deste volume é um convite - ou antes, um desafio - a que o leitor desconfie das certezas mais arraigadas, tanto as do mundo exterior quanto as do próprio pensamento. Obra fundamental para quem deseja compreender a virada decisiva de um dos maiores prosadores de todos os tempos, Papéis Avulsos permanece tão atual quanto no dia de sua publicação - prova inequívoca de que a genialidade, quando autêntica, não envelhece: apenas se desdobra em novas leituras, para cada geração que ousa enfrentá-la.
Cada conto é uma pequena joia de engenharia narrativa, capaz de condensar em poucas páginas toda a complexidade de um romance. A coletânea abre com O Alienista, talvez a mais célebre das narrativas breves de Machado, onde a cidade de Itaguaí se transforma num palco para a demência institucionalizada - e onde o leitor é convidado a perguntar-se, com o autor, onde termina a loucura e começa a razão.
Seguem-se Teoria do Medalhão, diálogo satânico entre pai e filho sobre a arte de triunfar na vida sem mérito algum, e A Chinela Turca, que ridiculariza com fina ironia as ambições metafísicas do espírito humano. Não menos notáveis são O Espelho, meditação sobre a identidade e a multidão interior que habita cada um de nós; Uma Visita de Alcibíades, onde o passado clássico é evocado para iluminar as misérias do presente; e Verba Testamentária, epílogo mordaz que parece resumir, em chave testamentária, o desencanto de um escritor que já não espera nada dos homens - a não ser que o leiam com os olhos abertos. Há ainda o fantástico velado de O Segredo do Bonzo, a alegoria política de A Sereníssima República, o humor cáustico de O Anel de Policrates e a parábola bíblica de Na Arca, todos atravessados por aquela inteligência sutil e ferina que Machado reservava para os grandes temas, mas que aqui aplica às pequenas coisas do cotidiano com a mesma gravidade. Papéis Avulsos é, assim, um divisor de águas na literatura brasileira: o momento em que o conto deixa de ser mero entretenimento ou lição moral para se tornar um gênero filosófico por excelência.
Machado não narra para entreter; narra para inquietar. E cada página deste volume é um convite - ou antes, um desafio - a que o leitor desconfie das certezas mais arraigadas, tanto as do mundo exterior quanto as do próprio pensamento. Obra fundamental para quem deseja compreender a virada decisiva de um dos maiores prosadores de todos os tempos, Papéis Avulsos permanece tão atual quanto no dia de sua publicação - prova inequívoca de que a genialidade, quando autêntica, não envelhece: apenas se desdobra em novas leituras, para cada geração que ousa enfrentá-la.



