Romance total, fresco ainda na sua fulgurante modernidade, « Os Maias » continua a interpelar o leitor com a sua arquitectura monumental e o seu pulsar trágico. Eça de Queirós, nesta que é talvez a obra-prima do Realismo português, desenha um vasto fresco da sociedade lisboeta oitocentista, dissecando-lhe as hipocrisias, os tédios e os sonhos frustrados com o bisturi de um moralista irónico e a elegância de um estilista insuperável.
No centro desta constelação narrativa, avulta a figura de Carlos da Maia, neto do lendário Afonso da Maia, herdeiro de uma linhagem decadente que a História parece haver votado ao desconcerto.
A sua existência, repartida entre a ociosidade cultivada, as tertúlias intelectuais e as paixões equívocas, converte-se no espelho de uma nação que teima em não encontrar o seu destino. Ao seu redor, um cortejo inesquecível de personagens - o dândi João da Ega, o enigmático Cruges, a perturbadora Maria Eduarda - compõe uma galeria humana de uma riqueza psicológica ímpar, onde o amor e a fatalidade se enlaçam num desfecho de devastadora beleza.
Mas « Os Maias » é mais do que o romance de uma família ou o retrato de uma época: é uma meditação sobre o tempo, a memória e a inelutável repetição dos erros.
É a epopeia do fracasso, narrada com uma prosa de uma sensualidade e de uma inteligência que fazem de cada página uma lição de arte. Publicado em 1888, permanece, na sua melancólica grandeza, como um dos cumes da literatura universal - um livro que, como poucos, nos ensina a ver, a sentir e a duvidar.
Ler « Os Maias » é confrontarmo-nos com o nosso próprio abismo; é reconhecer, sob o esplendor da frase, o rumor surdo de uma civilização em declínio.
Uma obra imorredoura, que a cada reabertura se revela nova, porque é nela que a língua portuguesa atinge um dos seus registos mais altos e inconfundíveis.
Romance total, fresco ainda na sua fulgurante modernidade, « Os Maias » continua a interpelar o leitor com a sua arquitectura monumental e o seu pulsar trágico. Eça de Queirós, nesta que é talvez a obra-prima do Realismo português, desenha um vasto fresco da sociedade lisboeta oitocentista, dissecando-lhe as hipocrisias, os tédios e os sonhos frustrados com o bisturi de um moralista irónico e a elegância de um estilista insuperável.
No centro desta constelação narrativa, avulta a figura de Carlos da Maia, neto do lendário Afonso da Maia, herdeiro de uma linhagem decadente que a História parece haver votado ao desconcerto.
A sua existência, repartida entre a ociosidade cultivada, as tertúlias intelectuais e as paixões equívocas, converte-se no espelho de uma nação que teima em não encontrar o seu destino. Ao seu redor, um cortejo inesquecível de personagens - o dândi João da Ega, o enigmático Cruges, a perturbadora Maria Eduarda - compõe uma galeria humana de uma riqueza psicológica ímpar, onde o amor e a fatalidade se enlaçam num desfecho de devastadora beleza.
Mas « Os Maias » é mais do que o romance de uma família ou o retrato de uma época: é uma meditação sobre o tempo, a memória e a inelutável repetição dos erros.
É a epopeia do fracasso, narrada com uma prosa de uma sensualidade e de uma inteligência que fazem de cada página uma lição de arte. Publicado em 1888, permanece, na sua melancólica grandeza, como um dos cumes da literatura universal - um livro que, como poucos, nos ensina a ver, a sentir e a duvidar.
Ler « Os Maias » é confrontarmo-nos com o nosso próprio abismo; é reconhecer, sob o esplendor da frase, o rumor surdo de uma civilização em declínio.
Uma obra imorredoura, que a cada reabertura se revela nova, porque é nela que a língua portuguesa atinge um dos seus registos mais altos e inconfundíveis.