- Como seria manter uma relação íntima no espaço? A ausência de gravidade ajuda ou dificulta? - A amplitude dos movimentos teria que ser bem limitada, para não precisar amarrar os indivíduos em uma superfície, o que tiraria toda a sensação de gravidade zero. - Além disso, você deve ter percebido que o sangue fica mais concentrado na cabeça e no tórax, deixando pouca irrigação para as extremidades.
Vai ficar apenas na vontade. O comandante Alexei, nosso piloto de membros de titânio (literalmente, ele não tem as pernas) coloca sua contribuição: - Então estou em vantagem neste quesito. Como não tenho irrigação nos membros inferiores, sobra sangue para a máquina funcionar. Elena resolve entrar na conversa, já que a descontração é necessária para manter elevada a moral da tripulação, e sua contribuição como médica vai corroborar (ou não) aquilo que está sendo discutido. - Para finalizar, o gameta masculino ficaria totalmente desorientado com a falta de gravidade, e mesmo que um óvulo seja fecundado seria praticamente impossível ele se fixar na parede do útero, impedindo a nidação. Que conversa de maluco é esta que estou ouvindo no comunicador interno? Esquizofrenia causada pela exposição à radiação? Um vírus alienígena está dominando a tripulação da Kosmos Pioneer? Alguma entidade extraplanetária está tentando se comunicar conosco? - Atenção, tripulação! Caso algum membro esteja tendo alucinações relacionadas a atividades com alta descarga de hormônios, sugiro que passe a rezar mais ou pelo menos aumente a quantidade de medicamento que está tomando para evitar surtos psicóticos. Um ano e meio no espaço, dentro de uma lata de alumínio, comendo apenas comida desidratada e sentindo o cheiro de metano expelido naturalmente pelo corpo humano, que os purificadores de ar não conseguem filtrar totalmente, e ainda tenho que suportar estes dois brincantes. - Mateus e Artur, vocês são uma combinação explosiva.
Estou pensando em deixar os dois no meio do caminho até o Cinturão de Asteroides e vir buscar somente depois de concluída a missão. Que tal? O lado rural da infância do Viktor resolveu se manifestar: - Devem ter fumado estrume de cavalo quando eram crianças, isso é sintoma de dano cerebral, que ficou mais intenso devido à radiação cósmica. Sofia, nossa copiloto fleumática e calculista, coloca sua contribuição: - É melhor do que ficarem saltando feito gazelas dentro do módulo, apenas para sentir os efeitos da diferença de velocidade angular.
Prefiro ter que ouvir bobagens do que precisar corrigir a nossa rota a cada minuto. Claro, quando um tripulante salta um metro dentro do módulo, ela consegue reduzir em 10% os efeitos da chamada "gravidade artificial" que é gerada girando todo o conjunto em um círculo, causando uma sensação que dura quase um segundo apenas. No entanto, o corpo do saltador sente naquele momento como se estivesse em queda livre, como aquele primeiro instante assim que o paraquedista sai da porta do avião e o corpo ainda não começou a acelerar vertiginosamente para baixo. Diversão garantida, que gera um balanço insignificante na nossa espaçonave, mas pode ser aumentado em escala geométrica se todo mundo aderir à prática de maneira repetitiva.
Para Alexei e Sofia, responsáveis pela navegação, controle do combustível gasto e pela disciplina interna, a intenção é permitir apenas pequenos momentos de desconcentração e fazer a tripulação voltar o corpo e a mente para atividades mais contidas.
- Como seria manter uma relação íntima no espaço? A ausência de gravidade ajuda ou dificulta? - A amplitude dos movimentos teria que ser bem limitada, para não precisar amarrar os indivíduos em uma superfície, o que tiraria toda a sensação de gravidade zero. - Além disso, você deve ter percebido que o sangue fica mais concentrado na cabeça e no tórax, deixando pouca irrigação para as extremidades.
Vai ficar apenas na vontade. O comandante Alexei, nosso piloto de membros de titânio (literalmente, ele não tem as pernas) coloca sua contribuição: - Então estou em vantagem neste quesito. Como não tenho irrigação nos membros inferiores, sobra sangue para a máquina funcionar. Elena resolve entrar na conversa, já que a descontração é necessária para manter elevada a moral da tripulação, e sua contribuição como médica vai corroborar (ou não) aquilo que está sendo discutido. - Para finalizar, o gameta masculino ficaria totalmente desorientado com a falta de gravidade, e mesmo que um óvulo seja fecundado seria praticamente impossível ele se fixar na parede do útero, impedindo a nidação. Que conversa de maluco é esta que estou ouvindo no comunicador interno? Esquizofrenia causada pela exposição à radiação? Um vírus alienígena está dominando a tripulação da Kosmos Pioneer? Alguma entidade extraplanetária está tentando se comunicar conosco? - Atenção, tripulação! Caso algum membro esteja tendo alucinações relacionadas a atividades com alta descarga de hormônios, sugiro que passe a rezar mais ou pelo menos aumente a quantidade de medicamento que está tomando para evitar surtos psicóticos. Um ano e meio no espaço, dentro de uma lata de alumínio, comendo apenas comida desidratada e sentindo o cheiro de metano expelido naturalmente pelo corpo humano, que os purificadores de ar não conseguem filtrar totalmente, e ainda tenho que suportar estes dois brincantes. - Mateus e Artur, vocês são uma combinação explosiva.
Estou pensando em deixar os dois no meio do caminho até o Cinturão de Asteroides e vir buscar somente depois de concluída a missão. Que tal? O lado rural da infância do Viktor resolveu se manifestar: - Devem ter fumado estrume de cavalo quando eram crianças, isso é sintoma de dano cerebral, que ficou mais intenso devido à radiação cósmica. Sofia, nossa copiloto fleumática e calculista, coloca sua contribuição: - É melhor do que ficarem saltando feito gazelas dentro do módulo, apenas para sentir os efeitos da diferença de velocidade angular.
Prefiro ter que ouvir bobagens do que precisar corrigir a nossa rota a cada minuto. Claro, quando um tripulante salta um metro dentro do módulo, ela consegue reduzir em 10% os efeitos da chamada "gravidade artificial" que é gerada girando todo o conjunto em um círculo, causando uma sensação que dura quase um segundo apenas. No entanto, o corpo do saltador sente naquele momento como se estivesse em queda livre, como aquele primeiro instante assim que o paraquedista sai da porta do avião e o corpo ainda não começou a acelerar vertiginosamente para baixo. Diversão garantida, que gera um balanço insignificante na nossa espaçonave, mas pode ser aumentado em escala geométrica se todo mundo aderir à prática de maneira repetitiva.
Para Alexei e Sofia, responsáveis pela navegação, controle do combustível gasto e pela disciplina interna, a intenção é permitir apenas pequenos momentos de desconcentração e fazer a tripulação voltar o corpo e a mente para atividades mais contidas.