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21 Meses de Guerra Genocida em Gaza. UCG EBOOKS, #47
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- FormatePub
- ISBN978-989-9190-19-1
- EAN9789899190191
- Date de parution23/10/2025
- Protection num.Adobe DRM
- Infos supplémentairesepub
- ÉditeurKKYM + P.OR.K
Résumé
Neste artigo, Rashid Khalidi analisa a guerra em curso em Gaza no contexto da história de mais de cem anos de guerra contra a Palestina. Longe de ser uma disputa ancestral entre religiões ou povos, trata-se de uma guerra « com várias frentes lançada sobre a população indígena da Palestina por diversos grandes poderes aliados ao movimento sionista. Este movimento foi tanto nacionalista como colonialista de ocupação, e o seu objetivo foi o de substituir o povo palestino na sua ancestral terra-natal, convertendo um país árabe num Estado judaico ». Aquilo a que se assiste na Faixa de Gaza é totalmente consistente « com 77 anos de limpeza étnica, ocupação militar e esbulho de terras palestinas por parte de Israel, com décadas de cerco e privação da Faixa de Gaza e com ocasionais reações palestinas, muitas vezes violentas, a estas ações.
Este padrão de comportamento qualifica inquestionavelmente o projeto israelense-sionista como um projeto colonial de ocupação [settler-colonial], o derradeiro projeto colonial do mundo contemporâneo ». A brutal escalada de violência na Faixa de Gaza, com dezenas de milhares de vítimas - a grande maioria palestina - e uma destruição sem precedentes a que o mundo tem assistido, em vez de levar a uma reflexão aprofundada acerca das razões deste enésimo episódio da guerra, reforçou ainda mais a abordagem meramente militar israelense, sem qualquer objetivo político, além de slogans como « vitória » e « dissuasão ».
Neste processo, os EUA, que têm mostrado um apoio quase incondicional a Israel, ignoram o fim da ocupação e da colonização, bem como os elementos essenciais para uma solução de dois Estados. Em vez disto, continuam a promover modelos que apenas perpetuam o controlo israelense sob disfarces diferentes, como um « Estado » palestino sem soberania. Com este respaldo, a guerra de Israel continua a promover a limpeza étnica em Gaza, tendo criado, em 2025, um organismo oficial responsável por coordenar a chamada « migração voluntária » da população palestina - um eufemismo para designar a expulsão forçada.
Esta estratégia é vista como a continuação de uma política histórica de supressão da população indígena palestina, agravada pela influência de propostas como a de Trump, que chegou a sugerir a transformação de Gaza numa estância de luxo sem palestinos. Apesar de importantes mudanças na opinião pública, especialmente entre jovens e progressistas, a política externa americana, e de diversos governos europeus, continua assim fortemente alinhada com a perspetiva israelense, menosprezando a liberdade dos palestinos.
Num momento de forte reação internacional perante a catástrofe, a extensa análise de Rashid Khalidi não se limita a relatar eventos, por demais evidentes, mas propõe uma leitura crítica do momento atual, enraizada na história e nas estruturas de poder que moldam, há um século, a guerra contra a Palestina. Todavia, contra a violência e o impasse da política, apesar da dor e da devastação, da prática de crimes de guerra e genocído, mantém-se a esperança: que as próximas gerações possam finalmente ver nascer « uma paz baseada no reconhecimento de realidades históricas dolorosas e no desmantelamento de estruturas coloniais de opressão, fundamentada na justiça, na igualdade de direitos e no reconhecimento mútuo ».
Este padrão de comportamento qualifica inquestionavelmente o projeto israelense-sionista como um projeto colonial de ocupação [settler-colonial], o derradeiro projeto colonial do mundo contemporâneo ». A brutal escalada de violência na Faixa de Gaza, com dezenas de milhares de vítimas - a grande maioria palestina - e uma destruição sem precedentes a que o mundo tem assistido, em vez de levar a uma reflexão aprofundada acerca das razões deste enésimo episódio da guerra, reforçou ainda mais a abordagem meramente militar israelense, sem qualquer objetivo político, além de slogans como « vitória » e « dissuasão ».
Neste processo, os EUA, que têm mostrado um apoio quase incondicional a Israel, ignoram o fim da ocupação e da colonização, bem como os elementos essenciais para uma solução de dois Estados. Em vez disto, continuam a promover modelos que apenas perpetuam o controlo israelense sob disfarces diferentes, como um « Estado » palestino sem soberania. Com este respaldo, a guerra de Israel continua a promover a limpeza étnica em Gaza, tendo criado, em 2025, um organismo oficial responsável por coordenar a chamada « migração voluntária » da população palestina - um eufemismo para designar a expulsão forçada.
Esta estratégia é vista como a continuação de uma política histórica de supressão da população indígena palestina, agravada pela influência de propostas como a de Trump, que chegou a sugerir a transformação de Gaza numa estância de luxo sem palestinos. Apesar de importantes mudanças na opinião pública, especialmente entre jovens e progressistas, a política externa americana, e de diversos governos europeus, continua assim fortemente alinhada com a perspetiva israelense, menosprezando a liberdade dos palestinos.
Num momento de forte reação internacional perante a catástrofe, a extensa análise de Rashid Khalidi não se limita a relatar eventos, por demais evidentes, mas propõe uma leitura crítica do momento atual, enraizada na história e nas estruturas de poder que moldam, há um século, a guerra contra a Palestina. Todavia, contra a violência e o impasse da política, apesar da dor e da devastação, da prática de crimes de guerra e genocído, mantém-se a esperança: que as próximas gerações possam finalmente ver nascer « uma paz baseada no reconhecimento de realidades históricas dolorosas e no desmantelamento de estruturas coloniais de opressão, fundamentada na justiça, na igualdade de direitos e no reconhecimento mútuo ».





